Pitiríase Rósea
Atualizado em 10/01/2025
Afecção aguda benigna restrita à pele, com características placa primária e erupção secundária normalmente eritêmato-escamosa, relativamente freqüente, possivelmente de origem virótica que acomete sobretudo adolescentes e adultos jovens durante o outono e verão. Foi descrita por Gibert em 1860.
Epidemiologia: Atinge todas as faixas etárias, mas cerca de 75% dos casos ocorrem em indivíduos com idade compreendida entre 10 e 35 anos. Há uma ligeira predominância da doença no sexo feminino. Não há predisposição racial. Na casuística dermatológica, a frequência da dermatose situa-se em torno de 0,2%.
Etiopatogenia: Ainda não está definida sua etiopatogenia. Porém, agentes infecciosos, uso de roupas novas não lavadas, picadas de insetos e hipersensibilidade à drogas têm sido incriminados como fatores etiológicos ou participantes do processo patogênico. Entretanto, a tendência atual é a de se aceitar a hipótese infecciosa, provavelmente a virótica (herpesvirus 6 e 7). Certas drogas como barbitúricos, captopril, metronidazol, isotretinoína e cetotifen podem causar um rash semelhante à pitiríase rósea com medalhões grandes, subsequente hiperpigmentação e transformação em dermatite liquenóide. A vacina contra a Covid-19 tem causado o surgimento de casos de P. rosea. Histologicamente, observamos paraceratose, ausência da camada granulosa, discreta acantose, espongiose e infiltrado dérmico superficial.
Manifestações clínicas: Sintomas gerais, abrindo o cortejo clínico, constituem exceção. Um pródromo leve que consiste em dores de cabeça, febre, mal-estar, fadiga, anorexia, dor de garganta, aumento dos gânglios linfáticos e artralgia está presente em cerca de 5% dos pacientes. Na grande maioria dos casos a primeira manifestação da dermatose é a “placa primitiva de Brocq”, também chamada “medalhão” ou “placa mãe” ou "Herald patch", vista em até 90% dos casos, consistindo em uma placa redonda ou oval, única, raramente múltipla, com superfície finamente escamosa e colarete de escamas periféricas, cor rósea e cujas dimensões variam de 2 a 10cm de diâmetro, sendo mais observada no tronco ou extremidades proximais.
A lesão primária pode corresponder a um possível sítio de inoculação. Após período médio de 7 a 14 dias, desenvolve-se subitamente a fase eruptiva com lesões semelhantes a inicial, habitualmente de menor tamanho. Muitas das lesões iniciais são pápulas, mas quase sempre aparecem as placas ovalares de 1 a 2cm. As lesões individuais têm o eixo maior paralelo às linhas de clivagem da pele. A erupção é apirética, pouco ou nada pruriginosa, sucessiva, progressiva e descendente, porque costuma surgir na parte superior do tronco onde se dissemina e se mantém, podendo estender-se às porções proximais dos membros, respeitando quase sempre face, couro cabeludo e extremidades. As lesões se concentram tipicamente na área abdominal inferior.
As lesões assumem no dorso, uma disposição característica, lembrando o aspecto de “árvore de natal”. Lesões orais podem ser vistas como manchas eritematosas arredondadas, hemorragias pontuadas, bolhas ou lesões aftoides. A erupção desenvolve-se completamente num prazo de 2 semanas, dura de 5 a 12 semanas e desaparece espontaneamente sem seqüelas ou deixando máculas hipo ou hiperpigmentares residuais que podem ser persistentes, sobretudo em indivíduos de pele escura. A variedade papulosa é mais comum em crianças jovens, gestantes e negros. Formas purpúricas, pustulosas e vesiculares têm sido vistas em crianças. A distribuição do rash pode ser exclusivamente periférica (forma inversa).A doença parece conferir uma imunidade duradoura, já que as recidivas são raras, entre 0,3 e 2,8% dos pacientes, podendo, inclusive, ser múltipla.
Diagnóstico: Nos casos típicos, que representam 80%, o diagnóstico se impõe pela presença do “medalhão” ou pela disposição e aspecto peculiar das lesões. O principal diagnóstico diferencial deve ser feito com a sífilis secundária quando a micropoliadenopatia e o envolvimento palmoplantar são mais característicos. Testes sorológicos para sífilis sempre serão positivos neste estágio.
Tratamento: A tendência normal para cura espontânea dispensa a utilização de qualquer recurso terapêutico. Quando há prurido intenso podemos usar loções antipruriginosas ou antihistamínicos orais. Nas formas disseminadas e severas, está indicado o uso de corticóides tópicos . A exposição ao sol ou a radiação ultravioleta B em doses eritematosas, por 5 dias consecutivos diminui o prurido e acelera a involução das lesões. Esta terapia é mais benéfica na primeira semana da erupção. Pela provável etiologia viral, pelos herpesvirus 6 e 7, o uso do aciclovir oral (800 mg 5 vezes ao dia) particularmente na primeira semana da doença, parece resultar em cerca de 79% da regressão do quadro ao fim de 14 dias do início da doença.
REFERÊNCIAS BIBILIOGRÁFICAS
1. Pityriasis Rosea: An Updated Review. Leung AKC, Lam JM, Leong KF, Hon KL. Curr Pediatr Rev. 2021;17(3):201-211.
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5. Effectiveness of acyclovir in the treatment of pityriasis rosea. A systematic review and meta-analysis. Milton Rodriguez-Zuniga, Natalie Torres, Herney Garcia-Perdomo. An Bras Dermatol. 2018 Sep-Oct; 93(5): 686–695