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Miliária


 

É a retenção de suor na pele devido à obstrução do ducto da glândula sudorípara écrina. Há 3 formas: miliária cristalina,a obstrução ductal ocorre ao nível do estrato córneo; miliária rubra, a obstrução ocorre dentro da camada de Malpighi; e miliária profunda, caracteriza-se pela obstrução ao nível da junção dermoepidérmica.

A miliária cristalina, também conhecida como sudâmina, é caracterizada por uma erupção difusa de vesículas assintomáticas de 1 a 2mm de diâmetro e sem base inflamatória, algumas vezes lembram “gotas de água”. As vesículas aparecem em grupos e localizadas tipicamente na parte superior do tronco, pescoço e cabeça. A miliária atinge aproximadamente 4,5% das crianças, com pico de freqüência na primeira semana de vida. A erupção ocorre após dias ou semanas de exposição ao calor e umidade, especialmente em áreas tropicais ou durante os meses de verão. Em adição, a miliária é observada acompanhando quadros de sudorese profusa como nas doenças febris persistentes ou em resposta a drogas que induzem ao suor, tais como o betanecol. As vesículas individuais são extremamente frágeis, rompem-se espontaneamente ou com leve fricção, e resolvem-se com fina descamação superficial. A terapia, em geral, não é necessária por ser uma erupção autolimitada.

A miliária rubra ou brotoeja é a manifestação clínica mais significante da retenção écrina do suor. A lesão primária é uma mácula ou pápula inflamatória com pequena vesícula central, acompanhada geralmente de prurido paroxístico. No adulto, as lesões se localizam no tronco e pescoço, mas podem surgir em outras áreas, exceto na face  e em locais voláteis. As lesões pustulosas podem aparecer e o termo miliária pustulosa deve ser empregado. A característica histológica desta patologia é a presença de um material amorfo PAS-positivo identificado na vesícula intracorneana ou subcorneana do acrosiríngio do ducto da glândula sudorípara. A depleção de lipóides dos queratinócitos dos poros écrinos poderia explicar a obstrução do ducto. Outros estudos sugerem que a colonização bacteriana seja o fator causal da miliária, em especial o S. aureus.

A miliária profunda é usualmente observada em ambientes tropicais e após repetidos episódios de miliária rubra. Manifesta-se através de pápulas pálidas ou róseo-claras, com 1 a 3mm de diâmetro, localizadas no tronco, mas também em extremidades. São assintomáticas e  devem ser diferenciadas da mucinose papulosa. A obstrução dos dutos sudoríparos ocorre na junção dermo-epidérmica ou abaixo. Outros achados comuns incluem hiperhidrose facial compensatória, adenopatia axilar e inguinal, fraqueza, dispnéia, taquicardia e hiperpirexia. Uma complicação que pode ocorrer no paciente é  a astenia anidrótica tropical em situações de calor e estresse prolongados. As medidas terapêuticas consistem em colocar o doente em ambiente fresco e ventilado ou ar condicionado, roupas leves (algodão). O uso de pasta d’água, solução de bürow 1:15 ou permanganato de potássio podem ser úteis. Antibióticos quando há infecção.



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