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Foliculites


 

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São processos inflamatórios da unidade pilossebácea. Podem ser superficiais ou profundos, dependendo da localização da inflamação no folículo. As lesões profundas podem deixar cicatrizes.

Foliculite superficial . Processo subagudo ou crônico confinado ao óstio do folículo. Decorre de injúria física ou química, podendo a pústula ser estéril ou conter estaficolocos coagulase-negativos. Tem sido relatada após exposição ocupacional a óleos e graxas (elaioconiose) ou uso de adesivos oclusivos contendo corticosteróides. Uma foliculite traumática pode ser observada após depilação. O impetigo folicular de Bockhart é a infecção do óstio folicular pelo S. aureus. Consiste de pequenas pústulas centradas por um pêlo. É mais freqüente nas crianças, podendo atingir qualquer área do corpo, sendo mais comum no couro cabeludo e membros. A pseudofoliculite da barba ou pili incarnati é uma reação tipo corpo estranho ao pêlo encurvado (ulotríquio) que penetra na pele. Clinicamente, há menos inflamação do que na foliculite estafilocócica. Ocorre mais na área da barba, pescoço e virilha de negros geneticamente predispostos. A cura definitiva somente é possível com a remoção permanente do pêlo através de lasers específicos.

Foliculite profunda
Sicose da barba – foliculite crônica localizada na profundidade do pêlo da barba causada pelo S. aureus. Observam-se pápulas foliculares, pústulas centradas por um pêlo e crostas. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a pseudofoliculite e com a sicose da barba de origem fúngica, onde o quadro é mais severo.
Hordéolo ou terçol – É uma infecção causada pelo S. aureus das glândulas de Meibomius (hordéolo interno ou calázio) ou das glândulas ciliares de Zeis e Moll (hordéolo externo). Nota-se pápula ou nódulo folicular sob pele eritemato-edematosa que pode drenar pus.

Furúnculo – infecção estafilocócica aguda, necrotizante, do folículo piloso e da glândula sebácea anexa. Pode evoluir a partir de uma foliculite superficial. Surge um nódulo eritematoso, doloroso que aumenta de tamanho e, depois de algum tempo, torna-se flutuante. No final, o material necrótico central (carnegão) é eliminado. O aparecimento contínuo de vários furúnculos é conhecido como furunculose. A manipulação de furúnculos próximos aos lábios e nariz pode favorecer a contaminação bacteriana nos seios cavernosos com a formação de graves abscessos cerebrais.

Antraz – é o agrupamento de vários furúnculos. A secreção drena por vários orifícios. É bastante doloroso. Localiza-se, de preferência, onde a derme é espessa, como na nuca, dorso e coxas. Ocorre preferencialmente em idosos e imunossuprimidos.

Variantes da foliculite

Foliculite queloidiana da nuca. Caracterizada por pústulas foliculares na nuca que evoluem para lesões queloidianas. É mais comum nos homens de raça negra que apresentam politriquia, ou seja, fusão de folículos na superfície da pele, onde surgem dois ou três pêlos.

Foliculite decalvante – é uma foliculite crônica, causada geralmente pelo S. aureus, que determina intensa destruição folicular com posterior atrofia, resultando em alopecia cicatricial. No couro cabeludo, chama-se foliculite decalvante do couro cabeludo; na área da barba, chama-se sicose lupóide e nos membros inferiores foliculite decalvante de Arnozan Dubreuilh.

Foliculites por oclusão folicular – há tendência à obstrução do óstio folicular por hiperqueratose folicular inata. Sugere-se que a queratina encontrada na derme (resposta granulomatosa), resulte da destruição do folículo. Clinicamente, notam-se comedões, abscessos intercomunicantes múltiplos, trajetos fistulosos, cicatrizes hipertróficas e queloidianas. Compreende a hidrosadenite, a foliculite dissecante do couro cabeludo (Perifolliculitis capitis abscedens et suffodiens) e a acne conglobata. A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele com furúnculos, fístulas e abscessos, mais comumente localizada nas axilas e virilhas, sendo o tratamento cirúrgico o método de escolha.

O tratamento da foliculite superficial pode ser feito somente com soluções ou sabonetes anti-sépticos e antibióticos tópicos tipo ácido fusídico, mupirocina ou gentamicina. No caso de foliculite refratária ou disseminada, pode ser necessário uso de antibiótico por via oral. Quando o furúnculo é único, geralmente responde bem às aplicações de compressas quentes. A incisão e drenagem podem ser úteis nos casos mais profundos. Nos casos de furunculose, há necessidade de antibióticos tópico e sistêmico e do uso de antibiótico tópico na entrada das fossas nasais do paciente e, às vezes, dos membros da família. Mupirocin 2% intranasal por 5 dias, e por igual período a cada mês por um ano, reduziu a colonização nasal dos portadores a 22% comparado a 83% do grupo placebo. Caso cepas de S. aureus meticilino-resistentes (MRSA) estejam presentes, vancomicina IV 1 a 2g dia está indicada.

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