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Cromomicose



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Infecção fúngica crônica granulomatosa da pele e do subcutâneo, que raramente compromete outros órgãos, causada por implantação traumática de fungos demácios, determinando lesões pápulo-nodulares e vegetante-verrucosas.

Etiologia: São cinco os principais agentes da cromomicose: Fonsecaea pedrosoi, Fonsecaea compacta, Phialophora verrucosa, Cladosporium carrionii e Rhinocladiella aquaspersa. A literatura registra casos produzidos pelas espécies Exophiala jeanselmei, E. spinifera e E. castellanii.

Eco-Epidemiologia:  O fungo tem seu habitat natural no solo, vegetais e água. A doença é ubiquitária, registrada em todo o mundo, entre 30oN e 30oS. Predomina em regiões tropicais e subtropicais, em adultos do sexo masculino, faixa etária entre 20 e 40 anos, trabalhador ou ex-trabalhador rurícola, quase sempre nos membros inferiores. F. pedrosoi é responsável por cerca de 86% a 90% dos casos brasileiros. Não há contágio inter-humano.

Madagascar continua apresentando a maior casuística mundial da micose, com 1.323 casos registrados entre 1955 e 1997. No Brasil, as principais concentrações estão representados por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará e Amazonas. No Serviço de Dermatologia da Universidade Federal do Pará estão diagnosticados, clínica e laboratorialmente, 272 casos de cromomicose, no período de 1963 a 1998.

Manifestações clínicas: Caracterizam-se pelo surgimento de lesões papulosas e/ou pápulo-nodulares no local de penetração do agente, as quais se ulceram e evoluem para formas verrucosas e serpígino-vegetantes, de expansão centrífuga, deixando áreas centrais atrófico-cicatriciais. A localização habitual do processo é nos membros inferiores, em geral, unilateral. Outros sítios anatômicos podem ser sede das lesões, como membros superiores, tronco e extremidade cefálica. Comprometimento de outras estruturas como a córnea e os ossos são relatos excepcionais.

Lesões do sistema nervoso central têm sido relacionadas à infecção pelos gêneros Fonsecaea e Cladosporium.
A doença é de lenta evolução, propagando-se por contigüidade, sendo rara a disseminação pelas vias linfática ou sangüínea. Infecções secundárias repetidas conduzem a quadros de elefantíase.
A localização e a extensão das lesões, como ainda o tempo de evolução da doença podem determinar incapacidade funcional, com graves prejuízos para as atividades laborativas dos doentes.

Diagnóstico Diferencial: Deve ser feito basicamente com leishmaniose, lobomicose, tuberculose cutânea, esporotricose e paracoccidioidomicose.

Diagnóstico Laboratorial:

Exame direito: De pus, secreção ou crostas, após clarear com KOH 10%, revela os típicos corpos fumagóides, caracterizados por sua configuração redonda ou ovóide, membrana espessa, cor marrom ou fuliginosa, reproduzindo-se por septação.

Cultura: Em agar-Sabouraud-dextrose com ciclohexamida, à temperatura ambiente, produz colônias escuras em duas a quatro. A identificação das espécies é efetuada pelo estudo micromorfológico das culturas.

Histopatologia: Os espécimes de pele mostram hiperplasia irregular ou pseudoepiteliomatosa e infiltrado inflamatório dérmico granulomatoso, nodular e difuso com abscessos de neutrófilos. Os parasitas, sob a forma de corpos fumagóides, são observados em gigantócitos, nos abscessos, no epitélio ou mesmo livres no tecido.

Tratamento: Os seguintes procedimentos terapêuticos têm sido empregados: exérese cirúrgica, eletrocirurgia, criocirurgia com nitrogênio líquido, laser de CO2 e abrasão, que são indicados para lesões isoladas. Nos casos com acometimento de áreas maiores podem ser utilizados: itraconazol (200 a 400mg por dia, durante seis meses ou mais); fluconazol 200mg/dia; 5-fluorocitosina (150-200mg/kg/dia); terbinafina 500mg/dia, vários meses. A termoterapia tem sido usada tanto nas formas circunscritas com nas extensas.

 

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